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O Leo Chaves que poucos conhecem: em palestra, cantor fala sobre a vida atrás dos palcos

O Leo Chaves que poucos conhecem: em palestra, cantor fala sobre a vida atrás dos palcos

Por: Cristiane Bomfim | Data: 25 de outubro de 2016

Ao subir no palco, a gente não quer descer. Mas é o palco do sucesso, o palco do status, da posição social em que normalmente as pessoas olham a humanidade por cima. E quem olha a humanidade por cima, na verdade está embaixo. O sucesso e a fama fazem isso”. Foi com esta frase e depois de contar dois episódios com fãs – o primeiro malsucedido – que o cantor Leo Chaves, da dupla Victor & Leo, iniciou na última quinta-feira, dia 20, sua primeira palestra profissional para cerca de 400 executivos em São Paulo sobre o que está por trás do sucesso.

Vestindo jeans, uma camisa e um blazer com mangas até a metade do antebraço, Leo estava sozinho no palco do teatro CETIP, dentro do Instituto Tomie Ohtake, na zona oeste de São Paulo. Desta vez, a voz serena e limpa do cantor contou outra história: a de um Leo que não se vê nas apresentações cheia de luzes para milhares de pessoas ou nas divertidas entrevistas de TV.

A difícil relação com o pai na adolescência. A paixão pela música que aconteceu quando estudava em um colégio interno (contra a vontade do pai), a formação da dupla com Victor. O primeiro show e a briga no palco com irmão por causa do repertório. O crescimento da carreira em Minas Gerais e o convite para tocar em São Paulo. As decepções. O sucesso, o deslumbre e o afastamento da família. Leo contou em detalhes como quase se perdeu e como quase perdeu o que realmente era importante. “Na rua todo mundo dizia que eu era foda. Mas eu chegava em casa, minha mulher não dizia que eu era o cara. Meu filho também não”, disse.

Leo Chaves foi o último de 11 palestrantes que participaram do evento “MUDA – Um dia depois do Amanhã” organizado por Fátima Zagari e Angélica Greco, do Módulo de Palestras, com objetivo de discutir os temas mais relevantes da sociedade e, com isso, a busca de uma transformação no futuro. “O objetivo do MUDA é oferecer diretrizes sobre temas importantes para os próximos anos. Escolhemos os palestrantes com base nas inteligências deles, nas experiências em determinados assuntos para que eles possam passar esse aprendizado e um pouco desse conhecimento para a plateia. Queremos dar novas ferramentas para que as pessoas enfrentem o futuro”, explicou Angélica Greco ao Música Popular Sertaneja. Também palestraram o jornalista Heródoto Barbeiro e o atleta olímpico e o ex-jogador da seleção brasileira de vôlei Giba.

Com a mensagem final “O que é importante para você”, Leo Chaves pediu ao público o resgate dos valores, do que realmente importa, mesmo que estas referências estejam guardadas no fundo da memória. Após a palestra, o artista que sempre foi tão reservado sobre sua vida pessoal, contou sobre a facilidade em falar abertamente sobre momentos tão particulares.

“Não foi difícil porque não tenho intenção de agradar ninguém. Eu tenho a intenção de me realizar. É muito fácil falar quando a intenção é fazer o bem e dividir aquilo que foi útil para você na sua vida, as ferramentas que fizeram diferença, as quedas, os obstáculos, os fracassos, as mazelas. Muitas pessoas aqui que passaram pelas mesmas coisas e precisam, de repente, ouvir essas histórias”. O cantor explicou também que percebeu que poderia ajudar, a partir de suas histórias, no momento em que se ajudou.

De três anos para cá, Léo participou de uma série de treinamentos em inteligência emocional, além da leitura de uma série de livros sobre o assunto. “Eu desejo ajudar as pessoas. Espero ter ajudado pelo menos uma pessoa hoje. Se ela sair pensando que isso vai mudar a vida dela, eu vou ficar satisfeito. Nós não somos mais do que ninguém aqui. Só levamos o que deixamos para os outros em vida”.

No último dia 4, Leo comemorou seu aniversário de 40 anos com o lançamento do Instituto Hortense, um projeto social que vai treinar professores com ferramentas de inteligência emocional dentro de escolas. De acordo com ele 20% do valor arrecadado com as palestras serão destinadas ao Instituto.

Confira alguns trechos da palestra:

“Eu era o melhor aluno da escola. Só que nessa época havia um movimento no mundo inteiro que era o hard rock. Era mais ou menos 1988 e todos os adolescentes e meus colegas do colégio interno adoravam esse movimento e estavam influenciados. E eu acabei me influenciando também. Então eu cheguei em casa um dia, nas férias, cheio de penduricalhos, corrente, o cabelo meio grande, um brinco daqueles que você não fura a orelha de forma superficial.

Meu pai, como um coronel de fazenda disse para mim: Filho, se você entrar em casa mais uma vez com essa porcariada, vai ser a sua última vez dentro de casa. Rapaz, nós somos sertanejos criados na roça. Joga tudo isso fora. Pode parar com essa porcariada de rock.

Com os olhos cheios d’água, fui no barceiro e raspei o cabelo. Joguei aquelas coisas de rock fora e fui resgatar isso anos depois. As pessoas perguntam porque eu mudei tanto o visual de três anos pra cá. E foi exatamente por isso. Eu precisava resgatar esse adolescente reprimido, mas que tinha uma vontade de expor isso de alguma forma. Hoje o meu pai não pode mais dizer para eu tirar os penduricalhos porque eu sou um pai de família e não vou tirar.”

* * *

“A fama e o sucesso te apresentam um mundo, mas te afastam do seu mundo que é o mais importante. O poder, a posição social, o status fazem parte do sucesso, mas não se afastem de vocês.”

* * *

“A minha carreira musical começou no colégio interno. Eu era um garoto que brigava muito com meu pai, eu tinha muitas diferenças com meu pai. Sempre tive. Mas eu sempre o amei muito e sei que ele sempre me amou muito. Com a intenção de formar um grande homem – meu pai veio de um sistema de criação mais antigo, mais impositor, mais rude, rigoroso – apanhei muito e sei que cada tapa e cada surra serviram para me tornar um homem. Mas por causa das diferenças com meu pai eu acabei seguindo para um colégio interno”.

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